Foi realizada na tarde de hoje, 06 de julho, a solenidade de posse do Juiz Titular da 2ª VT de Nova Lima, Vicente de Paula Maciel Júnior, como Desembargador do TRT da 3ª Região. No mesmo ato, o empossado foi agraciado com a Medalha da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho Desembargador Ari Rocha, no Grau Grã-Cruz.

Seguindo os protocolos implantados com o objetivo de prevenir a disseminação da Covid-19, a cerimônia foi restrita a poucos convidados e teve transmissão ao vivo pelo canal oficial do TRT3 no YouTube. Estiveram na cerimônia os Desembargadores José Murilo de Morais (Presidente do TRT3), Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto (Vice-Presidente) as Desembargadoras Ana Maria Amorim Rebouças (corregedora) e Maristela Íris da Silva Malheiros (vice-corregedora) e, representando a Amatra3, o Juiz Renato de Paula Amado.

Vicente de Paula Maciel Júnior foi indicado por meio de lista tríplice eleita em sessão do Tribunal Pleno no dia 20 de maio, sendo nomeado pelo critério de merecimento em vaga decorrente da aposentadoria do Desembargador Márcio Flávio Salem Vidigal.

Em seu discurso, Vicente agradeceu a todos os magistrados e servidores que integram o TRT da 3ª Região, aos membros do Ministério Público do Trabalho, os advogados trabalhistas e aos professores e funcionários da PUC-Minas. Mais adiante registrou agradecimento a sua esposa Maria Inés, “companheira de todos os momentos” e aos filhos Luiza, Gustavo e Julia, “razão de minha inspiração, luta diária e de minha esperança no futuro”. Além de agradecer a mãe e a avó que acompanharam a solenidade pelo YouTube e ao pai e avô “que me acompanham pela eternidade”.

Vicente relembrou o seu início na magistratura em 1993. “Sou um professor que virou Juiz. Muitos diziam que eu era um prático porque era juiz. E no Tribunal falavam que eu era um teórico, um sonhador, um filósofo. Realmente não há como separar esses dois lados. Mas nunca percebi isso como um problema. Eu era um juiz melhorado pela academia e pela ciência, e um professor que tinha o privilégio de aplicar o que estudava. Aprendi muito com o meu mestre Aroldo Plínio Gonçalves a distinguir e utilizar a ciência e técnica no dia-a-dia de minhas funções”. Por isso, Vicente afirma que chega ao Tribunal com muita alegria, “enriquecido pela ciência e amadurecido pela experiência”.

Neste momento de pandemia, Vicente acredita que a função do juiz do trabalho e a ciência devem ser ainda mais valorizadas. “O que seria dos trabalhadores e também dos empregadores se não fossem os juízes do trabalho neste momento resolvendo questões cruciais, dando abertura e vazão a problemas sociais que deságuam na Justiça do Trabalho? Quanto mais a Justiça do Trabalho e ciência são atacadas, mais nós vemos o resultado que as suas ausências nos causam”.

Finalizando, Vicente citou a obra Pedagogia do oprimido do educador Paulo Freire. “Como posso dialogar se temo a superação e se, só em pensar nela, sofro e definho? A auto-suficiência é incompatível com o diálogo. Os homens que não tem humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus companheiros de pronúncia do mundo. Se alguém não é capaz de sentir-se e saber-se tão homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito que caminhar, para chegar ao lugar de encontro com eles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos, há homens que, em comunhão, buscam saber mais. Não há também, diálogo, se não há uma intensa fé nos homens. Fé no seu poder de fazer e de refazer. De criar e recriar. Fé na sua vocação de ser mais, que não é privilégio de alguns eleitos, mas direitos dos homens”.

Sobre o Desembargador – possui Pós-doutorado pela Unversidade de Roma La Sapienza, Doutorado em Direito pela UFMG (1996) e Graduação em Direito pela UFMG (1989). Professor adjunto da PUC-Minas. Coordenador do Núcleo de Direito Processual da PUC-Minas. Coordenador de Pesquisa em Processo Coletivo. Coordenador do Projeto de Pesquisa Processo Coletivo Eletrônico. Experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Processual Coletivo, atuando principalmente nos seguintes temas: processo, proteção jurídica, teoria do processo coletivo, e estado democrático de direito. Membro da Associação Studium Internationalis.

Fotos: TRT3